sábado, 1 de dezembro de 2012

partir, andar

Me disse para ser feliz
E passar bem
Olhos nos olhos 
quero ver o que você faz
Meu amigo, quando eu me mandar, você vai ver:
Vai sentir tudo que nunca sentiu em anos de controle remoto
Vai ver que a amazona foi embora com os cabelos ao vento 
na beira da praia
Pra bem longe
Muito longe daqui.
Partir, andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Prefiro continuar distante
Em paz

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

novidades

Meu nego, eu preciso te contar:
ando sorrindo aquele sorriso da incerteza que teme a novidade. Ando andando pela rua com os olhos quase cerrados, como venta nessa cidade! Meus cabelos estão mais compridos e coloridos, eu gosto assim. Sinto que estou numa fase diferente, transição, sabe como é, a gente nunca se acostuma com ela, porque quando está prestes a ficar comum, já estamos mudados. Sei lá, é a vida.
Andei aprimorando alguns setores pessoais, inclusive aquele espiritual que a gente gostava tanto de conversar sobre. E falando em conversar, você iria gostar do meu novo trabalho. É a sua cara, portanto, também a minha.
E você? Ainda com aqueles planos de desenhos literários? De escritas desenhadas? Tenho boas lembranças do copo gelado na mesa e da sua mão esbarrando na minha toda hora. Acidentes que acontecem, né?
Não, não estou com saudade de tudo aquilo, não estou com saudade do que passou. Gato escaldado também procura se secar. Depois de seco, uh! Sobe nos muros de novo, cai de novo, sobe e vaga pela noite, contente com as garras afiadas.
Tive um sonho e queria te contar.
Não posso, mas queria.
Na verdade queria e até posso,
mas não devo,
bem parecido
com a nossa história.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

quado o brega faz sentido, fodeu



Você ficou sem jeito e encabulada
Ficou parada sem saber de nada
Quando eu falei que gosto de você
Você olhou pra mim e decididamente
Você falou tão delicadamente
Que eu nao devia gostar de você
Mas a vida é essa e apesar de tudo
Gosto de você e que se dane o mundo
Quem sabe se nessas voltas que essa vida dá
Você pode mudar de ideia e me procurar

quinta-feira, 7 de junho de 2012

só se sabe o que se sente.
Sentinela, sente nela e se contente,
que a vida segue no presente
e dor nenhuma há de prender. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

baboseira

Eles se amam. Todo mundo sabe, mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.

Tati Bernardi me mostrando quão clichê é essa baboseira toda.
E eu que sempre prezei pelo diferente..

quinta-feira, 26 de abril de 2012

sermão para um ateu

você chama o amor de passageiro
e o passageiro de amor
ingrato!
troca o dia pela noite, erra na medida
pisa na bola, se atrapalha, se debate.
Vá para o raio que o parta!
Vive sua vida medíocre, se acomoda feito um gato no balaio
andando de lado para outro e depois lamenta suas impotências
sonha alto, sonha bonito,
mas vive a mercê do concreto 
do que se tem.
o que se tem?
Infeliz!
como um vagalume que tem a luz na bunda 
mas não consegue iluminar o próprio caminho!
arranca-te desse viver oco
toma coragem, 
se faz de louco
ergue os muros do teu sonho
ao invés do teu marasmo
saia, viva, pense, respire, 
sorria para o que te faz sorrir e sai dessa tela
dessa caixa.
você é uma caixa
que surpresas boas, deixe-as respirar
acenda uma vela pro seu santo
e encandeça nossas vidas.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

go

Enrolado num pano preto, em pequenos pedaços para não ser descoberto, passado com cuidado de mão em mão. Um amassado aqui, uma batida ali.
Muita sutileza, os disfarces às vezes bastam a olho nu.
Mal recebido às vezes, fica um tempo parado, e logo retoma sua ânsia de vida, consumo. Cada vez mais forte. Vai diminuindo e ficando mais forte..
Grudado na pele, feito a cera de uma vela, arde.
mas um toque, e esfarela.
fica apenas a marca avermelhada da queimadura.
No barulho quieto da noite flutua ele, o sentimento clandestino.





domingo, 25 de março de 2012

ritual


acho bonito esse cultivo.
Cultuo viva a flor da pele
ela me trará o que preciso
tem tempo, em tempo, tempo

"Cuida bem da tua forma de ser

amanhã o dia vai ser diferente de outro dia
A menina que da terra sempre espera
que você fique aqui
e no fundo, bem no fundo, você sabe como
isso é legal
ver alguém que entenda essa sua transição
como é legal essa sua transição"



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Por um segundo mais feliz
e nem que tenha de ser o terceiro, o quarto..
Importante mesmo é apostar na felicidade
Entender em que fluxo você vai
e ir



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012



não há mistérios em descobrir

o que você tem e o que gosta

não há mistérios em descobrir

o que você é e o que você faz






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

sopro

aceitar é mesmo a melhor opção?
ou é tentar encaixar-se num quebra-cabeça
que não veio na sua caixa?
é preciso paciência.
E mais alguma coisa, não me lembro bem o quê..
nem me venha com esse tal de ne me quitte pas,
não recebi a cartilha de boas maneiras..
E então fica ali a agulha no palheiro.

tentar a felicidade é como uma chama
que queima,
ou morre apagada.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O vendedor entusiasmado

                Esses dias estava em um dos raros momentos que posso sair com minha mãe sem hora para retornar, dando uma volta no shopping.
Ao entrar em uma loja grande de roupas, o vendedor se aproxima, faz a costumeira pergunta "posso ajudar?" - que sempre tenho vontade de responder: claro, pode começar pagando minhas contas... - seguido de seu nome, Paulo.
Paulo usava o uniforme vermelhinho, calça jeans e um óculos detector de nerdisse, desses quadradões. Tinha o cabelo preto e um olhar entusiasmado.
Na primeira brecha que minha mãe deu, ele desembestou a falar da outra profissão, tratador de imagens. Então ela disse que eu também trabalhava com fotografia e ele começou a discursar sobre. ZzZZzzZzzZZzZz..
Não que o papo fosse chato, ele inclusive falou uma coisa muito interessante, mas não ali em pé, com uma pilha de roupas no braço esperando para serem provadas.
Enfim, o que o moço dizia era que ele leu sei lá onde, que nos o Brasil tem a mesma lei dos EUA, onde só o pessoal formado em comunicação pode trabalhar com fotografia na comunicação (achei estranho, mas parece que era isso mesmo). E ele defendia que isso era um completo absurdo, porque tirava os fotógrafos de verdade do mercado e colocavam ali uma pessoa que aprendeu em alguns meses a mexer com câmera e luz.
Parei para refletir. O menino tinha razão.
Alguém que a partir de uma certa idade, quando desperta o interesse pela fotografia, ou pelo desenho, ou por qualquer arte (sei que não é considerado arte, mas tudo que envolve talento criativo, pra mim, é ), desenvolve desde então a curiosidade e adquire uma certa facilidade para essa prática.
Minha primeira aquisição com a mesada que ganhava aos 10 anos mais ou menos, foi uma Olympus analógica (só tinha essa na época, ok?), com a qual eu brincava de fotografar coisas inúteis. Adorava apertar o botão, ouvir o barulhinho, rebobinar, esperar para revelar.. Achava o máximo e nem sabia quanto gostava dessa coisa de fotografar.
Olha ela aí!
 Aos 16 anos me interessei de verdade por fotografia e ao longo desses seis anos já li boa parte de tutoriais, fóruns e blogs sobre o assunto, até conseguir fazer fotos boas com uma câmera compacta - a saudosa samsung de 5.0 megapixels movida a pilhas. Um horror tecnológico.
Depois de um tempo consegui uma Canon semi-pró que me acompanha até hoje (e espera por um flash externo).
Não acredito que minhas fotos sejam as melhores. Não sou profissional. Mas amo fotografar e aprendi isso com o tempo e com a experiência que só a prática pode trazer. Nunca fiz nenhum curso, somente dispensei horas e mais horas da minha vida explorando a câmera, os ângulos, exposições, passando vergonha ao granular fotos que serviriam para trabalho, etc etc... Mas hoje me orgulho quando alguém conversa comigo e fala 'você que gosta de foto' ou 'queria sua opinião sobre essas fotos'.
Obviamente um talento para fotografia pode estar escondido em um curso de publicidade ou jornalismo, e se desenvolver a partir daí. Mas é mais fácil um fotógrafo trabalhar nesse ramo, que isso acontecer; fotografia é muito chata quando se trata de teoria e mecanismos, apesar de ser extremamente importante..

Mas e o coitado do Paulo, que falou até de Bauhaus, e não conseguiu vender uma peça de roupa pra gente?