quarta-feira, 7 de setembro de 2011

nan-

carvão
água
desestabilizadamente
atraídos; cola. Forma
tinta preta
desenha um poema para mim?

-quim

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

uma dúvida, meu senhor

No final das contas, percebemos que se colocarmos tudo numa balança, há mais dores que amores.
E as flores, como é que ficam?
Rabisquei um destino que foi borrado por uma outra tinta, que não a minha, nem a sua.
E a rua, como é que fica?
Tomamos goles e mais goles de "eu-sei-de-mim", mas as mãos se encontravam sem querer.
E o anoitecer, como é que fica?
Culpamos o tempo, a estadia, a covardia, o frio e a moral. Que bela cena!
E a novena, como é que fica?
Escrevemos a nanquim, para que fique bem registrado "Aqui jaz um amor de outras vidas".
E essa, como é que fica?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O presente

Repare
Sinta o vigor da minha pele
ela exala vida!
Fixe no sorriso desenhado pelos pincéis de Afrodite

Não deixe de notar
Que gracejo mais,
Rio das falhas, porque elas me molham
Assim como a ti!

Depois desta tua viagem, meu senhor
A Terra transferiu suas rotas
para que eu pudesse continuar
sem me ferir

Pasme a surpresa:
Gostei.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Poema 12


Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.
Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto como un viaje.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.

Pablo Neruda


terça-feira, 16 de agosto de 2011

E já era hora.
Tantas vezes infeliz, tantas vezes calada. Tantas vezes lembrando que até me esqueço de como era quente o latejar das veias a espera de um coração.
Demorados dias se passaram até esse inverno. Calo, espero, tento, envergonho, fragilizo. Pulso. Ainda aqui.
É olhar e perceber, agir e não compreender. Perguntas já não bastam mais, vamos para outra casa, mudar de ar, conhecer a esfera de outras vidas, as viagens tão esperadas..
Uma folha pisada ainda vale, seu abraço ainda esquenta e eu ainda sinto - muito.

I'm the rainbow in your jail cell
All the memories of
Everything you've ever smelled
Not alone, I'll be there
Tell me when you wanna go

sábado, 30 de julho de 2011

ne me quitte pas

Não há uma única música que traduza um sentimento de amor, apesar da maioria tentar. Não há poesia suficiente para descrever as sensações sentidas pelo amor verdadeiro; seja ele correspondido ou corrompido. Não há garrafa de conhaque que suporte o aperto no peito dos que amam em silêncio. Não há breguice que supere os apaixonados. Não há fogo que acabe com a fome dos amantes.
não há o que deveria haver para mim, em você

Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racontrai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer


domingo, 3 de julho de 2011

arrepio

Ser ou não ser? Eis a questão.

Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar-me em armas contra o mar de angústias e, combatendo-o, dar-lhe fim?

Morrer; dormir. Só isso.

E com sono – dizem – extinguir dores do coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita; eis uma consumação ardentemente desejável.

Morrer; dormir – dormir, talvez sonhar. Aí está o obstáculo! Os sonhos que virão no sono da morte quando tivermos escapado ao tumulto da vida nos obrigam a hesitar. E é essa reflexão que dá à desventura uma vida tão longa.

Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepotência do governante e o achincalhe que o homem paciente recebe dos inúteis, podendo ele próprio encontrar seu repouso com um simples punhal?

Quem aguentaria fardos gemendo e suando numa vida servil, senão temer alguma coisa após a morte? O país não descoberto, de cujos confins não voltou jamais nenhum viajante – nos confunde a vontade, nos faz preferir e suportar os males que já temos, a fugirmos para outros que desconhecemos.

E assim a reflexão faz todos nós covardes.

E assim a força natural da decisão se transforma no doentio pálido pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de ação.


William Shakespeare