segunda-feira, 11 de março de 2013

algum mês de 2008

Mal posso acreditar que tenho limites. Sou recortada e definida. Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma.
Quando me surpreendo ao espelho não me assusto porque me ache feia ou bonita. É que me descubro de outra qualidade.
Depois de não me ver há muito, quase esqueço que sou humana, e sou com a mesma libertação de fim de consciência quanto uma coisa apenas viva. Essas curvas sob a blusa vivem impunemente? Por que caladas?
Até que uma frase, um olhar - como o espelho - relembram-me surpresa outros segredos, que me tornam ilimitada.
Fascinada, mergulho o corpo no fundo do mar, calo todas suas fontes e, sonâmbula, sigo por outro caminho: analiso instante por instante, percebo o núcleo de cada coisa feita, de tempo e de espaço.
Possuir cada momento, ligar a consciência a eles como pequenos filamentos quase imperceptíveis, mas fortes.
É a vida?
Mesmo assim ela me escaparia.
Outro modo de captá-la seria viver?
Mas o sonho é mais completo que a realidade, ela me afoga na inconsciência. O que importa afinal: viver ou saber que está vivendo?
Sinto a forma úmida debatendo-se dentro de mim. Mas onde está o que eu quero dizer? Onde está o que eu devo dizer?
Inspirai-me. Eu tenho quase tudo; eu tenho o contorno à espera da essência.
O que fazer? Utilizar-se de corpo e alma em proveito do corpo e da alma? Ou transformar minha força em força alheia?
Ou esperar que de mim mesma nasça, como consequencia, a solução?
Nada posso dizer ainda dentro da forma.

sábado, 1 de dezembro de 2012

partir, andar

Me disse para ser feliz
E passar bem
Olhos nos olhos 
quero ver o que você faz
Meu amigo, quando eu me mandar, você vai ver:
Vai sentir tudo que nunca sentiu em anos de controle remoto
Vai ver que a amazona foi embora com os cabelos ao vento 
na beira da praia
Pra bem longe
Muito longe daqui.
Partir, andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Prefiro continuar distante
Em paz

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

novidades

Meu nego, eu preciso te contar:
ando sorrindo aquele sorriso da incerteza que teme a novidade. Ando andando pela rua com os olhos quase cerrados, como venta nessa cidade! Meus cabelos estão mais compridos e coloridos, eu gosto assim. Sinto que estou numa fase diferente, transição, sabe como é, a gente nunca se acostuma com ela, porque quando está prestes a ficar comum, já estamos mudados. Sei lá, é a vida.
Andei aprimorando alguns setores pessoais, inclusive aquele espiritual que a gente gostava tanto de conversar sobre. E falando em conversar, você iria gostar do meu novo trabalho. É a sua cara, portanto, também a minha.
E você? Ainda com aqueles planos de desenhos literários? De escritas desenhadas? Tenho boas lembranças do copo gelado na mesa e da sua mão esbarrando na minha toda hora. Acidentes que acontecem, né?
Não, não estou com saudade de tudo aquilo, não estou com saudade do que passou. Gato escaldado também procura se secar. Depois de seco, uh! Sobe nos muros de novo, cai de novo, sobe e vaga pela noite, contente com as garras afiadas.
Tive um sonho e queria te contar.
Não posso, mas queria.
Na verdade queria e até posso,
mas não devo,
bem parecido
com a nossa história.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

quado o brega faz sentido, fodeu



Você ficou sem jeito e encabulada
Ficou parada sem saber de nada
Quando eu falei que gosto de você
Você olhou pra mim e decididamente
Você falou tão delicadamente
Que eu nao devia gostar de você
Mas a vida é essa e apesar de tudo
Gosto de você e que se dane o mundo
Quem sabe se nessas voltas que essa vida dá
Você pode mudar de ideia e me procurar

quinta-feira, 7 de junho de 2012

só se sabe o que se sente.
Sentinela, sente nela e se contente,
que a vida segue no presente
e dor nenhuma há de prender. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

baboseira

Eles se amam. Todo mundo sabe, mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.

Tati Bernardi me mostrando quão clichê é essa baboseira toda.
E eu que sempre prezei pelo diferente..